Receber uma comunicação informando reajuste elevado, mudança nas condições do contrato ou cancelamento do plano de saúde tem se tornado uma preocupação frequente entre beneficiários de planos coletivos.
Mas afinal: a operadora pode aumentar muito a mensalidade ou simplesmente cancelar o contrato?
A resposta depende das características de cada plano.
Embora os contratos coletivos tenham regras diferentes dos planos individuais, isso não significa que a operadora tenha liberdade absoluta para reajustar ou cancelar o plano.
Plano de saúde coletivo pode ser cancelado?
Em algumas situações, sim. Mas existem limites.
Para avaliar se o cancelamento é válido, é necessário analisar:
- tipo do contrato;
- número de beneficiários;
- motivo apresentado pela operadora;
- regras contratuais;
- existência de tratamento médico em andamento.
Em determinadas situações, o cancelamento pode ser considerado abusivo e questionado judicialmente.
Plano empresarial com menos de 30 beneficiários pode ser cancelado sem motivo?
Não.
Em 2026, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Tema 1.047, definiu que a rescisão unilateral de planos coletivos empresariais com menos de 30 beneficiários exige motivação idônea.
Esse entendimento é especialmente importante para pequenas empresas e contratos empresariais com poucas vidas.
Portanto, a simples comunicação de cancelamento pode não ser suficiente para justificar o encerramento do plano.
E se o paciente estiver em tratamento?
Essa situação merece atenção especial.
O STJ também entende que, mesmo quando o cancelamento do plano coletivo é válido, o tratamento médico essencial não pode ser simplesmente interrompido.
Essa proteção pode alcançar pacientes:
- em tratamento contra o câncer;
- internados;
- em home care;
- utilizando medicamentos de alto custo;
- realizando tratamentos contínuos;
- aguardando procedimentos médicos essenciais.
Dependendo do caso, pode ser necessário buscar uma liminar para garantir a continuidade da assistência médica.
Recebi uma carta de cancelamento. O que fazer?
O ideal é guardar:
- carta ou e-mail de cancelamento;
- contrato;
- últimos boletos;
- comprovantes de pagamento;
- relatório médico, se houver tratamento;
- protocolos de atendimento.
É importante verificar qual motivo foi apresentado pela operadora e quando o contrato será efetivamente encerrado.
Quando existe tratamento em andamento, a situação deve ser analisada com maior urgência.
Plano coletivo pode ter reajuste de 20%, 30% ou 40%?
Pode haver reajustes superiores aos índices dos planos individuais, mas isso não significa que qualquer aumento seja válido.
Nos planos coletivos empresariais e por adesão, a ANS não estabelece um único teto anual como ocorre nos planos individuais e familiares.
Ainda assim, o reajuste deve possuir fundamento, metodologia e transparência.
Um aumento de 20%, 30%, 40% ou mais não é automaticamente ilegal, mas pode ser questionado quando houver falta de clareza ou inconsistências no cálculo.
O que analisar em um reajuste elevado?
Normalmente são avaliados:
- percentual aplicado;
- histórico das mensalidades;
- quantidade de beneficiários;
- cláusulas do contrato;
- sinistralidade;
- metodologia utilizada;
- memória de cálculo apresentada pela operadora.
Quanto maior o reajuste, mais importante é entender como a operadora chegou ao percentual aplicado.
Posso pedir a memória de cálculo?
Sim.
A memória de cálculo ajuda a identificar quais critérios foram utilizados para definir o aumento da mensalidade.
Esse documento pode ser importante para verificar se o reajuste possui justificativa adequada ou se existem elementos para questioná-lo.
É possível recuperar valores pagos a mais?
Dependendo do caso, sim.
Se o reajuste for considerado irregular, pode existir pedido de:
- redução da mensalidade;
- revisão dos reajustes;
- restituição de valores pagos indevidamente.
Por isso, é importante guardar os boletos e comprovantes de pagamento.
Devo parar de pagar o plano?
Não é recomendável suspender os pagamentos por conta própria.
A inadimplência pode criar um novo problema e até gerar discussão sobre cancelamento.
O mais adequado é analisar previamente a situação e definir a melhor estratégia.
Quando procurar um advogado especializado em plano de saúde?
A análise jurídica é especialmente recomendada quando:
- o reajuste foi muito elevado;
- a operadora não explicou o cálculo;
- o contrato possui poucas vidas;
- houve comunicação de cancelamento;
- existe tratamento médico em andamento;
- há risco de interrupção de medicamento, cirurgia ou terapia.
Reajuste ou cancelamento pode ser discutido na Justiça?
Sim, quando houver indícios de irregularidade ou abusividade.
Dependendo do caso, é possível buscar judicialmente:
- revisão do reajuste;
- redução da mensalidade;
- restituição de valores;
- suspensão do cancelamento;
- manutenção do plano;
- continuidade do tratamento;
- concessão de liminar em situações urgentes.
Advogado especialista em plano de saúde
A Carvalho & Lucas Advocacia é especializada em Direito à Saúde e atua em casos envolvendo reajustes abusivos, cancelamento de planos, medicamentos, cirurgias, tratamentos e home care.
Se você recebeu um reajuste elevado ou uma comunicação de cancelamento do plano de saúde, é possível analisar o contrato e os documentos para verificar quais medidas são cabíveis.




